Uma pesquisa divulgada nesta terça-feira, 25, revelou que a maioria da população britânica não tem conhecimento da extensão do envolvimento do Reino Unido com a escravidão e o colonialismo. Os dados indicam que muitos britânicos não conseguem identificar quantas pessoas foram escravizadas, a duração do comércio transatlântico de escravos e que, até o século XXI, ainda havia contribuintes britânicos quitando um empréstimo governamental criado para compensar os antigos proprietários de escravizados.
O estudo, realizado em data que coincide com o Dia Internacional em Memória das Vítimas da Escravidão e do Tráfico Transatlântico de Escravizados, foi encomendado pela Campanha de Reparação em parceria com a Comunidade Caribenha (Caricom), com o objetivo de promover a justiça reparatória. A pesquisa incluiu entrevistas com mais de 2.000 britânicos, que mostraram um desempenho insatisfatório ao responder a perguntas relacionadas ao conhecimento histórico sobre a escravidão.
Os resultados da pesquisa revelaram que 85% dos entrevistados desconhecem que mais de três milhões de africanos foram forçados a ir ao Caribe por traficantes britânicos. Além disso, 89% não têm conhecimento de que a escravidão no Caribe durou mais de 300 anos, e 75% não sabem que os pagamentos aos escravizadores, originários de um empréstimo do governo do Reino Unido em 1833, por “perda de propriedade”, foram quitados somente nos anos 2000.
Apesar da falta de conhecimento, houve um aumento no apoio às reparações. O levantamento indicou que 63% dos participantes apoiam um pedido formal de desculpas do governo britânico aos descendentes de pessoas escravizadas, representando um crescimento de 4% em comparação com a pesquisa anterior do ano anterior. A aceitação da proposta de indenizações financeiras também aumentou, com 40% dos entrevistados apoiando repasses voltados para iniciativas de longo prazo em áreas como educação, saúde e desenvolvimento.
Em relação aos resultados, o fundador da Campanha de Reparação enfatizou que é encorajador notar o crescimento do apoio público a um pedido formal de desculpas e às reparações financeiras no último ano. Contudo, ele também destacou a falta de conhecimento que persiste entre a população sobre a história do país.
Embora o governo britânico tenha se mostrado relutante em fornecer indenizações financeiras, as autoridades afirmam que estão colaborando com parceiros caribenhos em questões relacionadas à segurança, crescimento econômico e mudanças climáticas.