Em uma sessão predominantemente negativa para os ativos brasileiros, nesta quarta-feira (26), o dólar encerrou novamente acima de R$5,80, influenciado por uma combinação de fatores internos e externos. No Brasil, cresceu a preocupação em relação à significativa geração de novas vagas formais em janeiro, às reformas ministeriais no governo atual e às dúvidas dos investidores sobre o equilíbrio fiscal do país, contexto intensificado pela queda na popularidade do presidente. No cenário internacional, a atenção se voltava para a possibilidade de novas tarifas de importação sendo impostas pelos Estados Unidos.
Ao término da jornada, a moeda dos Estados Unidos apresentou uma elevação de 0,86%, cotada a R$5,8022. Enquanto isso, o Ibovespa enfrentou uma queda de 0,96%, atingindo 124.768,71 pontos.
No início do dia, houve uma breve oscilação do dólar em território negativo em relação ao real, mas rapidamente a moeda mostrou ganhos, alinhando-se com as tendências externas. O dólar subiu desde cedo em relação a outras moedas fortes, incluindo o real, além das divisas do México e do Chile, que também poderiam ser significativamente afetadas por eventuais novas tarifas norte-americanas sobre o cobre.
Este movimento ganhou força após a divulgação de dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que indicaram a criação de 137.303 novas vagas formais de trabalho em janeiro, um número consideravelmente superior à expectativa de economistas, que era de apenas 48.000. Em 24 de janeiro, o ministro do Trabalho e Emprego já havia mencionado a expectativa de “mais de 100 mil vagas” no último mês, o que suavizou parte do impacto da divulgação subsequente.
De acordo com a avaliação de Matheus Massote, especialista em câmbio de uma instituição financeira, embora os dados de emprego possam sugerir a possibilidade de uma taxa básica Selic mais elevada no futuro para controlar a inflação, o efeito imediato no mercado cambial foi negativo, resultando em uma valorização do dólar. Isso se deu devido a preocupações sobre a capacidade do Brasil de gerenciar a inflação de maneira eficaz.
As movimentações políticas em Brasília também capturaram a atenção, especialmente as alterações nos ministérios e os anúncios que podem ter impacto na área fiscal. Na terça-feira (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dispensou a ministra da Saúde, Nísia Trindade, e indicou Alexandre Padilha para ocupar seu lugar, a partir de sua posição na Secretaria de Relações Institucionais. Essas mudanças ministeriais visam recuperar o apoio político em meio a um contexto de queda na popularidade do presidente. Uma pesquisa divulgada na manhã desta quarta-feira apontou um aumento na avaliação negativa do governo nas regiões da Bahia e de Pernambuco, os dois estados mais populosos do Nordeste. O mercado expressa preocupações de que, diante dessa diminuição no apoio, o governo possa adotar medidas que comprometam ainda mais a situação fiscal.
À tarde, o Banco Central revelou que o Brasil teve um saldo cambial total negativo de US$666 milhões em fevereiro até o dia 21, com saídas líquidas de US$2,482 bilhões através do canal financeiro e entradas de US$1,816 bilhão pela via comercial.