29 março 2025
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As Três Mensagens Poderosas de Haddad

A narrativa sugere que, ao assumir o cargo no Ministério da Fazenda, o novo titular pode encontrar uma caixa em sua mesa, acompanhada de um bilhete que indica que a caixa deve ser aberta apenas em momentos de crise. Quando essa crise acontece, o ministro descobre três cartas dentro da caixa. A primeira orienta a “culpar o antecessor”. Assim, o ministro pode atribuir todos os problemas às administrações anteriores, geralmente garantindo alguns meses de proteção em relação a críticas.

Fernando Haddad, que está no cargo há 27 meses, tem utilizado essa primeira carta frequentemente. Nos últimos tempos, suas entrevistas têm se concentrado em comparações com a administração de seu antecessor, Paulo Guedes. Essa abordagem tem gerado a percepção de que Haddad está mais focado em destacar os erros dos ex-gestores do que em apresentar um planejamento para os próximos meses de seu mandato.

Além disso, Haddad também recorreu à segunda carta, que orienta a “anunciar que o mundo vai acabar”. Durante uma reunião em que Lula condicionou a aceitação de um pacote fiscal à reforma do Imposto de Renda, Haddad e o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, expressaram preocupação sobre o impacto que isso poderia ter, prevendo uma repercussão negativa. De fato, o valor do real caiu e outros indicadores econômicos também reagiram de forma negativa na época. Contudo, após um período de incertezas, a situação parece ter se estabilizado.

Essa abordagem alarmista fez com que Lula considerasse Haddad excessivamente pessimista, o que resultou na diminuição de sua influência como principal conselheiro. Com o foco do governo voltado para a reeleição de Lula, a agenda econômica começou a se misturar com a estratégia de campanha, fazendo com que Haddad perdesse sua autonomia nas decisões financeiras.

Diversas decisões recentes demonstraram a diminuição da autoridade de Haddad. Medidas como a liberação do FGTS e a isenção de impostos na importação de certos alimentos foram implementadas sem o consenso da Fazenda, evidenciando uma situação em que o ministro ficou à margem. Mesmo a reforma do Imposto de Renda foi divulgada de maneira mais publicitária, sem a participação ativa de Haddad.

O enfraquecimento da posição de Haddad pode afetar negativamente o governo. Ele ocupa a função de intermediar a relação do governo com o mercado financeiro, e essa função depende da sua força como ministro. Pesquisas indicam que a percepção do mercado em relação a Haddad diminuiu significativamente, evidenciando a crise de confiança em sua liderança.

Haddad não é o primeiro ministro a enfrentar dificuldades em sua relação com o presidente. Vários ministros de Fazenda em gestões anteriores, como Pedro Malan, Guido Mantega e Henrique Meirelles, também se encontraram em situações semelhantes, onde suas vozes não eram consideradas em decisões importantes.

Atualmente, Haddad enfrenta um contexto desafiador. Com Lula centrado em sua candidatura, as prioridades de Haddad não são mais a prioridade do governo. Apenas a agenda da “justiça tributária” mantém relevância, uma vez que se acredita que possa trazer votos futuros. Diante desse cenário, Haddad pode precisar se reinventar em seu papel ou abrir a terceira carta, que provavelmente conterá a sugestão de redigir três cartas para seu sucessor.

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