O governo dos Estados Unidos anunciou, no dia 2 de agosto, a implementação de novas tarifas sobre produtos importados, o que gerou debates sobre a metodologia utilizada para determinar esses valores. Um analista internacional expôs que, segundo uma análise do jornalista econômico, o cálculo para essas sobretaxas não se baseia em lógica econômica ou comercial convencional. O método identificado envolve dividir o déficit comercial dos EUA com um determinado país pelo valor total das importações oriundas desse mesmo país. Esse cálculo resultou em porcentagens que se transformaram em tarifas adicionais, variando entre 10% e 50% para diferentes nações.
Esses novos procedimentos levantam preocupações quanto à transparência e à justificativa das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos. Países como Lesoto e São Pedro e Miquelão estão enfrentando as maiores sobretaxas, que chegam a 50%, enquanto o Camboja tem uma tarifa de 49%. No caso do Brasil, que apresenta um déficit comercial com os EUA, foi decidido que o país terá uma tarifa mínima de 10%. Com base na lógica mencionada, o Brasil deveria estabelecer uma tarifa extra de 3,7% sobre os produtos americanos, considerando um déficit de US$ 300 milhões em relação a uma importação total de US$ 40,6 bilhões.
A análise também apontou inconsistências nas declarações oficiais a respeito das tarifas. Um dos exemplos mais notórios foi o do Canadá, onde foi alegado que o país imporia “vergonhosas sobretaxas de até 300%” sobre produtos lácteos americanos. No entanto, essa informação foi contestada, sendo revelado que tais tarifas se aplicariam apenas se as exportações superassem significativamente as cotas estabelecidas, o que acontece raramente.
Essas constatações suscitaram preocupações sobre a precisão dos dados apresentados para justificar políticas comerciais e o impacto potencial nas relações econômicas internacionais. A comunidade global aguarda mais esclarecimentos sobre a metodologia utilizada, assim como suas implicações para o comércio mundial.