O Banco do Japão está considerando a elevação da taxa de juros em resposta ao aumento contínuo dos custos dos alimentos, que pode desencadear uma inflação generalizada. O presidente do banco central, Kazuo Ueda, destacou essa possibilidade em declaração feita ao Parlamento. Ueda observou que a inflação recente, considerada “muito alta”, foi em grande parte provocada por fatores temporários, como a subida dos custos de importação e dos preços dos alimentos. Ele acredita que esses impactos podem se dispersar e, portanto, não justificam um ajuste imediato na política monetária.
No entanto, Ueda também alertou que se os aumentos nos custos alimentares se tornarem sustentáveis, existe o risco de que isso eleve os preços de outros bens e serviços. Ele enfatizou que, nesse cenário, o Banco do Japão deverá reagir aumentando a taxa de juros. Além disso, mencionou que se a inflação exceder as projeções do banco, medidas mais rigorosas poderão ser implementadas para reduzir o apoio monetário, indicando que um aumento nas taxas pode ocorrer mais cedo ou de forma mais intensa do que o esperado.
Os dados mais recentes mostram que a inflação núcleo ao consumidor no Japão atingiu 3,0% em fevereiro, permanecendo acima da meta estabelecida pelo banco central por um período quase contínuo de três anos. Os aumentos nas taxas têm sido em grande parte impulsionados por incrementos constantes nos preços alimentícios. O Banco do Japão decidiu que a avaliação da inflação deve ter como foco a tendência subjacente, desconsiderando fatores temporários, para determinar o momento e a intensidade de possíveis novas elevações nas taxas de juros.
Ueda indicou que a inflação subjacente, que é calculada com base na análise de vários indicadores, está se aproximando, mas ainda permanece ligeiramente abaixo da meta de 2%.