O Tribunal Superior da Catalunha comunicou, no dia 28, a decisão unânime de absolver Daniel Alves da condenação por estupro. A corte anulou a sentença anterior de quatro anos e meio, relacionada a um incidente que teria ocorrido em uma boate em Barcelona.
O ex-jogador brasileiro foi detido em janeiro de 2023 e permaneceu mais de um ano preso, até que, em março de 2024, ele pagou aproximadamente 5,4 milhões de reais para obter a liberdade provisória. Embora ainda estivesse sujeito a uma pena de dois anos, a Justiça espanhola aceitou um recurso apresentado pela defesa. Na nova decisão, os juízes consideraram que havia imprecisões na sentença anterior e indicaram uma “falta de fiabilidade” no depoimento da suposta vítima, afirmando que seus relatos não correspondiam à realidade.
Além disso, o tribunal rejeitou um pedido da Promotoria de Barcelona que visava a prisão de Alves e um aumento da pena para nove anos, sem possibilidade de fiança. Com essa decisão, Alves passa a estar livre, sem pendências com a Justiça espanhola.
O caso remonta ao dia 20 de janeiro de 2023, quando Alves foi preso preventivamente em Barcelona, após ser acusado de estupro supostamente cometido em 30 de dezembro de 2022, dentro da casa noturna Sutton, conhecida por sua exclusividade. A vítima relatou ter sido estuprada no banheiro da área VIP da boate, afirmando que entrou voluntariamente, mas que Alves se negou a deixá-la sair quando ela decidiu não prosseguir com o ato.
O julgamento começou no dia 5 de fevereiro de 2024, com depoimentos da vítima, do acusado e de testemunhas ao longo de três dias. Imagens da boate, juntamente com os testemunhos de funcionários e amigos da denunciante, teriam apoiado a acusação. Embora laudos técnicos confirmassem que houve relação sexual, não encontraram provas de coerção. A sentença inicial esclareceu que a presença de lesões físicas não é um requisito para caracterizar agressão sexual.
Durante o julgamento, a versão do depoimento de Alves sofreu alterações. Inicialmente, ele afirmou não conhecer a vítima, depois alegou que não houve penetração e, por fim, disse que a relação foi consensual. Essas divergências foram destacadas ao longo do processo e podem ter influenciado a decisão final do tribunal.