O Ministério Público da Catalunha informou que irá apelar contra a decisão que anulou a condenação de Daniel Alves. O ex-jogador havia sido condenado por estupro pela Audiência de Barcelona, mas, na última sexta-feira, 28, foi absolvido de forma unânime pelo Tribunal Superior de Justiça da Catalunha. Para que o caso seja revisto, o Ministério Público ou a acusação devem apresentar novos recursos, o que levará o processo à instância máxima, o Supremo Tribunal da Espanha. O fundamento do pedido do Ministério Público se baseia nos artigos 852, que trata da violação de preceito constitucional, e 849.1, que refere-se à violação da lei do Código de Processo Penal espanhol. O recurso ainda precisa ser oficialmente formalizado pelo Ministério Público para ser avaliado pelo Supremo Tribunal.
A defesa de Daniel Alves, representada pela advogada Ester Garcia, também manifestou a intenção de recorrer ao Supremo Tribunal. Garcia classificou a absolvição como um “retrocesso”, considerando que Alves estava em liberdade provisória desde março de 2024.
Contextualizando o caso, Daniel Alves foi detido preventivamente em Barcelona no dia 20 de janeiro de 2023, após uma acusação de estupro supostamente cometido em 30 de dezembro de 2022, em uma boate de luxo chamada Sutton, localizada na cidade catalã. A vítima procurou colegas e funcionários de segurança logo após o incidente, alegando que Alves havia cometido o ato em um banheiro da área VIP do estabelecimento. A polícia foi chamada, porém, o ex-atleta já havia saído do local. Durante o depoimento, a vítima mencionou que entrou voluntariamente no banheiro, mas que foi impedida de deixar o espaço pelo ex-jogador após desistir de manter relações. Alves forneceu várias versões sobre o que ocorreu na boate. Inicialmente, negou conhecer a vítima em um vídeo direcionado a um canal espanhol, mas confirmou sua entrada no banheiro com a jovem em depoimentos à polícia, embora tenha negado que qualquer ato sexual tivesse ocorrido. Em outras declarações, afirmou que teve relações consensuais com a vítima.
O julgamento na Audiência de Barcelona teve início em 5 de fevereiro de 2024. Ao longo de três dias, foram ouvidos a vítima, o acusado e testemunhas, resultando na condenação de Daniel Alves a uma pena de quatro anos e seis meses de prisão. Contudo, em março de 2024, o acusado pagou uma fiança de um milhão de euros e encontra-se em liberdade provisória desde então.