Khalid Ahmad, pai de um jovem brasileiro-palestino de 17 anos que faleceu enquanto estava detido em uma prisão israelense, declarou recentemente que o filho apresentava sinais de fraqueza devido à desnutrição. Além disso, o adolescente contraiu sarna durante o período de detenção. Walid Khaled Abdullah Ahmed foi preso na madrugada de 30 de setembro do ano anterior na Cisjordânia, onde residia, sob a acusação de agredir soldados israelenses. Segundo Ahmad, seu filho havia comentado: “Não se preocupe comigo”, antes de falecer.
Em uma entrevista, Ahmad relembrou que Walid participou de pelo menos quatro audiências judiciais por videoconferência, cada uma com duração de três minutos. A próxima sessão estava programada para 21 de abril. Após a prisão, Ahmad visitou um amigo do filho, que também havia sido mantido na mesma prisão, e foi informado de que Walid estava emagrecido, mas em estado relativamente estável. No entanto, quatro dias depois, a notícia de sua morte foi recebida.
Ahmad expressou que sua família compartilha dos mesmos sentimentos dos pais de outros prisioneiros. O advogado de Walid, Firas al-Jabrini, relatou que suas solicitações de visita foram negadas pelas autoridades israelenses. Informações de três prisioneiros que estavam em celas próximas mencionaram que o jovem sofria de disenteria amebiana, uma doença caracterizada por diarreia intensa, vômitos, dores de cabeça e vertigens.
A disseminação da doença pode ter sido facilitada por água contaminada ou alimentos, como queijo e iogurte, fornecidos por agentes penitenciários durante o jejum do Ramadã. Segundo Thaer Shriteh, porta-voz da comissão de detentos da Autoridade Palestina, Walid desmaiou e bateu a cabeça em uma barra de metal, perdendo a consciência. Testemunhas afirmam que a administração da prisão não atendeu aos pedidos por cuidados médicos urgentes para preservar sua vida, e que as autoridades israelenses não tomaram medidas para evitar a propagação da doença ou fornecer tratamento adequado aos prisioneiros.
Estimativas indicam que cerca de 6.000 palestinos de origem brasileira residem na Cisjordânia, território em grande parte ocupado por Israel. A família de Walid, embora com origem brasileira, habitava Silwad, na região de Ramallah.
Além disso, de acordo com a Autoridade Palestina, a morte de Walid eleva para 63 o número de prisioneiros palestinos falecidos em prisões israelenses, sendo ele o primeiro menor de idade a constar nesta estatística, conforme dados da Defesa das Crianças Internacional – Palestina. A Federação Árabe Palestina do Brasil (Fepal) enfatizou que a prisão de Megiddo, onde Walid estava detido, é conhecida pelo uso de tortura, incluindo choques elétricos, espancamentos, privação de alimentos e utilização de cães. O jornal Haaretz noticiou que práticas como despir prisioneiros, amarrá-los por longos períodos e privá-los de comida e cobertores não são incomuns, resultando em diversos hospitalizados devido a abusos.
Desde o início do conflito em Gaza, o governo brasileiro tem efetuado operações de repatriação de seus cidadãos. Segundo o Itamaraty, 1.560 brasileiros e seus familiares foram retirados das regiões afetadas, que incluem Israel, Gaza e Cisjordânia.