Os cofundadores da produtora LAB Fantasma, Emicida e Evandro Fióti, estão envolvidos em uma disputa judicial relacionada à gestão e às finanças da empresa. A separação profissional foi anunciada pelo rapper em 28 de setembro. O processo, que está sendo analisado na 2ª Vara de Empresarial e Conflitos de Arbitragem de São Paulo, revela a alegação de Fióti de que foi afastado de maneira unilateral da administração da companhia. Emicida, por outro lado, afirma que sua ação visou proteger a empresa de possíveis irregularidades cometidas pelo irmão.
A disputa legal teve início após Fióti solicitar uma tutela de urgência à Justiça. Nesse contexto, Fióti argumenta que, embora um acordo para uma divisão societária igualitária tenha sido firmado em dezembro de 2024, Emicida revogou sua procuração e bloqueou seu acesso a informações e contas financeiras da LAB Fantasma. O processo aponta que Fióti acredita ter atuado de forma colaborativa na fundação do negócio, destacando que todas as transferências financeiras realizadas foram transparentes e previamente acordadas, refutando qualquer acusação de desvio de recursos.
Emicida, que é sócio majoritário e administrador formal desde 2014, sustenta que decidiu afastar Fióti devido a ações unilaterais do irmão, como a diminuição de seu tempo dedicado à empresa e transferências bancárias significativas feitas sem autorização. Em seus argumentos no processo, Emicida reporta saques e transferências bancárias não autorizadas que somam cerca de R$ 6.000.000, além do risco de esvaziamento patrimonial da empresa, quebra da confiança e tentativas de obter vantagens indevidas.
Por outro lado, Fióti determina que houve uma revogação unilateral e inesperada de sua procuração, bem como o bloqueio de acesso às contas bancárias da empresa, além de alegar descumprimento do “Term Sheet” que estabelecia premissas para a divisão societária. O documento também menciona o risco iminente de esvaziamento de patrimônio, a emissão de comunicado interno sem aviso prévio e a imposição de impedimentos ao seu exercício de direitos societários e à sua participação na administração da empresa.
Em um comunicado divulgado em 1º de outubro, Evandro Fióti defende que não desviou nenhum valor da LAB Fantasma ou de empresas associadas, afirmando que todas as movimentações financeiras durante sua gestão foram transparentes e registradas de acordo com procedimentos estabelecidos. Ressalta ainda que a administração sempre foi conjunta, conforme um acordo formal ratificado em dezembro de 2024, que previa a gestão compartilhada e a divisão igualitária de ativos e passivos.
Fióti também refutou as acusações de desvio, ressaltando que a documentação do processo comprova que Emicida recebeu valores superiores aos acordados entre as partes. Ele considera a divulgação de informações distorcidas uma questão grave, que será abordada legalmente em todas as esferas, inclusive penalmente. O comprometimento de Fióti com a verdade e a transparência na gestão da empresa é reafirmado em sua declaração.
A LAB Fantasma, que opera há quase 16 anos, foi fundada pelos irmãos e esteve profundamente vinculada à carreira de Emicida, com Fióti representando os interesses artísticos do rapper durante a maior parte desse tempo. A empresa se tornou um influente grupo empresarial no panorama cultural brasileiro, atuando nas áreas de música, moda e produção de conteúdo.
A assessoria de comunicação de ambos os lados foi contatada para um posicionamento, mas até o momento não houve retorno, permanecendo o espaço aberto para futuras declarações.