3 abril 2025
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Energia escura: A transformação que revoluciona nossa visão do cosmos

Novas evidências de uma das pesquisas mais abrangentes do cosmos até o momento indicam que a enigmática energia escura pode estar se comportando de maneira a alterar a compreensão dos astrônomos sobre o universo. A energia escura é usada como um termo para descrever uma força ou energia que acelera a expansão do cosmos. Embora represente cerca de 70% da energia existente, o que exatamente constitui a energia escura ainda é desconhecido, conforme apontado por um professor da Universidade do Texas em Dallas.

O professor é co-presidente de um grupo de trabalho que faz parte da colaboração do Instrumento Espectroscópico de Energia Escura, conhecido como DESI. Em operação há quatro anos, esse instrumento é capaz de observar a luz de 5.000 galáxias simultaneamente. Com a previsão de conclusão para o próximo ano, o projeto deve ter registrado a luz de aproximadamente 50 milhões de galáxias. Recentemente, a colaboração, composta por mais de 900 pesquisadores, divulgou dados dos três primeiros anos de observações do DESI, incluindo medições de quase 15 milhões de galáxias e quasares, alguns dos objetos mais luminosos do cosmos.

A análise recente sugere que a energia escura, anteriormente considerada uma “constante cosmológica” por sua suposta imutabilidade, pode estar sofrendo mudanças e, possivelmente, enfraquecendo com o tempo. Especialistas afirmam que essas novas medições fornecem provas mais robustas de que a energia escura pode evoluir, o que representaria uma significativa alteração na percepção do funcionamento do universo.

Essas descobertas aproximam os astrônomos de entender melhor a natureza da energia escura, indicando que o modelo padrão de cosmologia pode precisar de revisões. O instrumento DESI está situado no Telescópio Nicholas U. Mayall, no Observatório Nacional Kitt Peak, no Arizona. A vasta capacidade de pesquisa deste instrumento permite a construção de um dos maiores mapas 3D do universo, rastreando como a energia escura influenciou a formação do cosmos nos últimos 11 bilhões de anos.

Os dados obtidos pelo DESI refletem diferentes períodos da história do cosmos, uma vez que a luz das galáxias leva tempo para viajar até a Terra. Isso possibilita uma visão de como o universo se apresentava em diversas épocas. A precisão nas observações é uma das vantagens oferecidas pelo DESI, como destacado por um professor especialista no assunto.

As informações mais recentes dobraram o número de objetos cósmicos analisados em comparação com dados disponibilizados há menos de um ano. As revelações abordam pela primeira vez como a energia escura pode estar em evolução, levando os pesquisadores a considerarem o universo de uma forma mais complexa e dinâmica do que anteriormente imaginado.

O DESI mede o que é conhecido como escala de oscilação acústica bariônica (BAO), uma técnica que permite entender como eventos primordiais moldaram a distribuição da matéria no universo. A análise desta escala, equivalente a separações de aproximadamente 480 milhões de anos-luz, serve como uma régua para mensurar distâncias e entender a expansão do universo.

Análises da influência da energia escura ao longo da história cósmica têm demonstrado o impacto significativo dessa força. As observações feitas em conjunto com outras medições, como explosões estelares e a luz distorcida pela gravidade de galáxias distantes, indicam que a energia escura pode estar se enfraquecendo com o passar do tempo.

Ainda não existem provas definitivas para afirmar que a energia escura está se transformando, mas novas evidências podem surgir nos próximos anos. Especialistas expressam a esperança de novas descobertas que esclareçam como a energia escura pode evoluir e quais são as explicações físicas mais plausíveis.

Os dados obtidos também podem auxiliar os astrofísicos a compreender melhor a evolução das galáxias e buracos negros, além de questões relacionadas à matéria escura, que, apesar de não ter sido detectada diretamente, acredita-se que compõe 85% da matéria no universo.

Os pesquisadores estão animados com a possibilidade de aprimorar as medições do DESI, reconhecendo que entender a natureza da energia escura será fundamental para determinar o futuro do universo. Um experimento futuro chamado Spec-S5 pretende medir um número ainda maior de galáxias, amplificando a pesquisa sobre energia e matéria escuras.

Além disso, outros observatórios espaciais, como o telescópio espacial Euclid e o Telescópio Espacial Nancy Grace Roman, programados para lançamento em 2027, devem adicionar dados preciosos sobre matéria e energia escuras na próxima década. Isso pode contribuir para endereçar as questões pendentes na cosmologia moderna, apresentando resultados que aparentemente sugerem a necessidade de um modelo mais complexo para entender a evolução do universo.

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