Desde o final de janeiro, a equipe pedagógica de uma tradicional instituição de ensino em São Paulo tem se confrontado com questões relacionadas à violência virtual. O foco das discussões gira em torno de um grupo de WhatsApp que envolvia alunos do Ensino Médio, onde se registraram casos de assédio.
Após a revelação dos incidentes, a administração da escola tomou medidas imediatas, resultando na suspensão de 34 alunos e expulsões subsequentes. A identidade dos estudantes envolvidos permanece em sigilo, mas não foram poucas as vozes de pais e alunos que se manifestaram sobre a situação. Muitos relataram experiências de assédio, preferindo manter o anonimato por medo das repercussões.
De acordo com informações obtidas, os alunos do primeiro e segundo ano foram excluídos do uso de um banheiro, considerado por alguns estudantes do terceiro ano como exclusivo para eles. Além disso, houve pressão para que os alunos enviassem vídeos com conteúdo machista, indicando suas “vítimas” — garotas que pretendiam conquistar. Apesar do descontentamento com as interações do grupo, a maioria optou por permanecer calada, criando um ambiente de silêncio.
Após as intervenções da administração, relatórios indicam que o clima de respeito dentro da escola melhorou. Entretanto, a crença em mudanças mais significativas nas atitudes ainda persiste entre alguns alunos. Para demonstrar solidariedade a seus colegas do terceiro ano, uma manifestação foi organizada pelos alunos do primeiro ano.
Até o presente momento, a escola ainda não havia se pronunciado oficialmente sobre o incidente. Em resposta a uma abordagem feita pela mídia, a diretora do Ensino Médio atendeu a solicitações de perguntas via e-mail.
Os relatos indicam que o grupo no WhatsApp, onde o bullying era praticado, estava em atividade há algum tempo, o que levanta questões sobre a dificuldade da escola em identificar iniciativas que ocorrem fora da supervisão dos educadores. A dinâmica dos grupos de WhatsApp, especialmente entre jovens do sexo masculino, tende a estabelecer pactos de silêncio rígidos, dificultando a divulgação de problemas. Educadores estão percebendo essa realidade e têm trabalhado no sentido de quebrar esse silêncio com ações práticas que promovem a confiança em adultos.
Em relação às ações a serem implementadas para tratar do tema na comunidade escolar, cada situação de conflito deve ser analisada individualmente. Um passo fundamental é ouvir as vítimas de violência e garantir que estejam de acordo com as ações desenvolvidas. Dialogar com todas as partes envolvidas, sem minimizar ou julgar a situação precipitadamente, tem sido um foco nas intervenções da escola, levando a análises e tomadas de decisões, mesmo que desafiadoras.
O incidente também levou a um reforço no compromisso da escola em abordar questões como relações de gênero e preconceitos, com um enfoque especial nas masculinidades. Essas temáticas já estavam em pauta e fazem parte de um esforço curricular mais amplo, que abrange diversas disciplinas, incluindo Literatura e História, além das Ciências da Natureza e Ciências Humanas.
Novos protocolos foram introduzidos, com a formação de grupos de discussão para os alunos diretamente envolvidos, contando com a assistência de especialistas por meio de dez encontros. Esses encontros têm como objetivo favorecer a reflexão dos alunos sobre como desejam se posicionar como homens na sociedade atual e as implicações disso. Além disso, também estão planejados momentos de discussão com as alunas e com todos os estudantes das diferentes séries do Ensino Médio.