Uma ocorrência recente em um torneio regional de esgrima nos Estados Unidos reacendeu o debate sobre a participação de atletas trans em competições esportivas. A esgrimista Stephanie Turner foi desclassificada durante o Cherry Blossom Open, realizado na Universidade de Maryland, depois de se recusar a competir contra Redmond Sullivan, uma atleta transgênero na categoria feminina. O evento ocorreu no último fim de semana, e no momento em que deveria iniciar o combate, Turner se ajoelhou na pista, retirou seu capacete e informou ao árbitro e à adversária que não participaria da competição. Conforme as regras da Federação Internacional de Esgrima (FIE), a recusa em enfrentar um oponente elegível resulta na desqualificação imediata, o que ocorreu neste caso.
A entidade responsável pelo esgrima nos Estados Unidos, a USA Fencing, confirmou a desclassificação de Turner. Em comunicado, a organização explicou que a decisão se baseou no não cumprimento das normas estabelecidas e não em opiniões pessoais relacionadas ao assunto. A USA Fencing destacou que “uma atleta não pode se recusar a enfrentar uma adversária devidamente inscrita por qualquer motivo”, e que a recusa leva à desqualificação, conforme as diretrizes da FIE. Além disso, a USA Fencing reafirmou seu compromisso com a inclusão, anunciando que desde 2023, a política da organização permite que atletas trans e não binários participem de competições com base em sua identidade de gênero, enfatizando a importância de um ambiente seguro e respeitoso para todos os esportistas.
A USA Fencing também expressou disposição para revisar suas políticas com base em novas evidências científicas ou alterações na normativa do movimento olímpico e paralímpico internacional, contudo reafirmou que a inclusão permanece uma prioridade. Após o ocorrido, declarações a respeito geraram controvérsias nas redes sociais. Turner revelou em entrevista que decidiu não competir contra Sullivan na noite anterior ao torneio, sustentando a crença de que competições femininas devem ser reservadas para mulheres cisgênero. Imagens de seu protesto foram amplamente divulgadas em plataformas sociais, especialmente por usuários com perspectivas conservadoras que questionam a presença de mulheres trans em categorias femininas. A ex-tenista Martina Navratilova, mesmo sendo uma defensora dos direitos LGBTQIA+, se posicionou em apoio à desclassificação.
Em contrapartida, muitos defenderam a manutenção das políticas inclusivas dentro do esporte e criticaram a postura de Turner. A USA Fencing reiterou em sua declaração a necessidade de manter um diálogo respeitoso e baseado em fatos, deixando claro que manifestações que envolvam discriminação ou discursos de ódio não serão aceitas. Redmond Sullivan, que foi alvo do protesto, não fez declarações após o incidente. Sua participação no torneio marcou sua primeira temporada na categoria feminina, após competições em categorias masculinas nos anos anteriores, e ele terminou o torneio na 24ª posição entre 39 participantes. É importante ressaltar que, apesar de o torneio ter sido realizado em uma universidade, ele não estava vinculado à liga universitária oficial (NCAA), que recentemente implementou regras mais rígidas sobre a participação de atletas trans. Esse caso surge em um contexto de polarização política nos Estados Unidos, onde há uma crescente discussão sobre as políticas de inclusão e exclusão de atletas trans nos esportes.