27 fevereiro 2025
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Explosões em Protesto no Leste do Congo: 11 Mortos e 65 Feridos, Relatam Rebeldes

Explosões em um comício promovido por rebeldes do M23 na cidade de Bukavu, localizada na região leste da República Democrática do Congo (RDC), resultaram na morte de 11 pessoas e em 65 feridos nesta quinta-feira (27). O líder da aliança rebelde responsabilizou o presidente congolês, Felix Tshisekedi, pela ocorrência de tais atos de violência. O governo, por sua vez, alegou em uma publicação que a Ruanda, país vizinho, estaria apoiando os insurgentes, mencionando que “várias” mortes ocorreram. Contudo, nenhuma das partes apresentou provas concretas para sustentar suas alegações.

Nem a RDC nem a comunidade internacional confirmaram oficialmente os números. Informações adicionais relatam que uma doença misteriosa já vitimou 50 pessoas na República Democrática do Congo. Desde janeiro, os combates no país causaram a morte de aproximadamente sete mil pessoas, conforme informações do primeiro-ministro. Paralelamente, tropas do Burundi estão se retirando do território congolês ante o avanço do M23.

Corneille Nangaa, líder da aliança rebelde que inclui o M23, mencionou em uma coletiva de imprensa que os explosivos utilizados nas explosões eram do mesmo tipo empregado pelo exército do Burundi no Congo. A veracidade dessa afirmação não pôde ser confirmada de forma independente. O porta-voz do exército burundiano, Brigadeiro-General Gaspard Baratuza, declarou que não havia soldados de Burundi em Bukavu, mas não abordou a questão relativa às granadas.

Desde o início do ano, os rebeldes têm progredido no leste da República Democrática do Congo, tendo capturado Bukavu e a maior cidade da região, Goma. Imagens que circulam nas redes sociais mostram pessoas correndo pelas ruas, muitas delas feridas e carregando corpos. Fontes médicas informaram que 65 pessoas receberam tratamento no hospital geral de Bukavu. Nangaa relatou que ele próprio não havia sido ferido, assim como outros membros seniores do grupo rebelde.

A República Democrática do Congo, a ONU e países ocidentais acusam Ruanda de apoiar o M23, acusações que o governo ruandês refuta. O avanço do grupo rebelde acendeu preocupações sobre um potencial conflito regional que poderia envolver países vizinhos. Ruanda, por sua vez, afirmou estar se defendendo contra milícias hutus, acusando-as de agir em coordenação com as forças armadas congolesas.

O nome M23 é uma referência ao acordo assinado em 23 de março de 2009, que pôs fim a uma revolta anterior conduzida por tutsis no leste da RDC. Este grupo rebelde, formado por tutsis, é o mais recente a causar instabilidade na região desde o genocídio em Ruanda, ocorrido há três décadas, quando extremistas hutus perpetraram a morte de tutsis e hutus moderados. O M23 reivindica que o governo da RDC não cumpriu com o acordo de paz e que os tutsis congoleses não foram plenamente integrados nos setores militares e governamentais. O grupo se compromete também a proteger os interesses tutsis, especialmente em relação a milícias hutus, como as Forças Democráticas para a Libertação de Ruanda (FDLR), que foram formadas por hutus após a fuga do país em decorrência do genocídio de 1994.

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