Na noite de quarta-feira, 26, o Hamas entregou à Cruz Vermelha os corpos de quatro reféns israelenses sequestrados e levados a Gaza durante os ataques a Israel em outubro de 2023. Em contrapartida, Israel libertou uma quantidade significativa de prisioneiros palestinos da prisão de Ofer, que foram transportados por um ônibus da Cruz Vermelha. Essa operação foi confirmada anteriormente pelo porte-voz do Hamas e pelo governo israelense. Esta troca faz parte da primeira fase de um cessar-fogo temporário mediado por Estados Unidos, Catar e Egito, com o objetivo de encerrar um conflito que já dura 15 meses na Faixa de Gaza.
Os reféns que tiveram seus corpos devolvidos foram identificados como Tsachi Idan, Itzik Elgarat, Ohad Yahalomi e Shlomo Mantzur. A entrega ocorreu sem cerimônias públicas, diferentemente de outras solturas anteriores promovidas pelo Hamas, que haviam sido alvo de críticas por parte de Israel e de organizações de direitos humanos.
Desde o início da trégua, o Hamas já reencaminhou não apenas reféns vivos, mas também os corpos de sequestrados que faleceram em cativeiro. Entretanto, as negociações têm sido permeadas por desconfiança e tensões. Em uma recente ordem, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, decidiu adiar a libertação de 602 prisioneiros palestinos, mencionando que o tratamento a que os reféns foram submetidos antes de sua soltura era degradante. De acordo com o governo israelense, os sequestrados foram cooptados para participar de cerimônias encenadas, envolvendo despedidas forçadas e interações com membros do Hamas. Tanto a Cruz Vermelha quanto autoridades da ONU apontaram que essas cerimônias foram humilhantes.
O Hamas reagiu acusando Israel de infringir o acordo e informou que não irá avançar para a próxima fase das negociações até que todos os palestinos acordados sejam libertados. O cessar-fogo, que foi organizado por Estados Unidos, Catar e Egito, estabelecia a entrega de 33 reféns, vivos ou mortos, em troca da soltura de quase 2.000 prisioneiros palestinos. A primeira fase do acordo está programada para expirar no próximo sábado, 1º de março, após 42 dias de cessar-fogo.
A segunda fase do plano prevê a libertação total dos reféns e a retirada completa das tropas israelenses da Faixa de Gaza. Porém, com o término da primeira fase se aproximando, o governo de Israel demonstrou disposição para reiniciar os combates caso não haja progressos substanciais nas negociações.
Notavelmente, o presidente dos Estados Unidos enviou um representante para o Oriente Médio na tentativa de desbloquear o impasse na segunda fase do acordo. Entretanto, as conversas não avançaram substancialmente. O governo israelense indicou que pretende apenas prorrogar a primeira fase do cessar-fogo, buscando garantir a libertação de mais reféns sem se comprometer com negociações sobre o futuro de Gaza ou com a retirada total de suas forças militares.
Na quarta-feira, Israel realizou o enterro de uma mãe e seus dois filhos pequenos, que foram mortos em cativeiro na Faixa de Gaza. Shiri Bibas, de 9 meses, e seu irmão Ariel, de 4 anos, foram entregues ao governo de Israel como parte do acordo de cessar-fogo. Autoridades de Tel Aviv alegaram que evidências forenses sugerem que as crianças foram mortas por seus sequestradores em novembro de 2023, enquanto o Hamas afirmou que a família perdeu a vida juntamente com seus guardas em um ataque aéreo israelense.
O conflito começou com um ataque do Hamas ao sul de Israel em 2023, que resultou na morte de aproximadamente 1.200 pessoas e no sequestro de cerca de 250 reféns. Desde então, a ofensiva militar israelense resultou na morte de mais de 48.000 palestinos, de acordo com autoridades de saúde de Gaza. O Ministério da Saúde regional, sob controle do Hamas, reporta que mais da metade das vítimas são mulheres e crianças. A guerra devastou a infraestrutura da região e forçou o deslocamento de 90% da população.