Na última quinta-feira (03), a B3 apresentou uma leve variação, com o Ibovespa registrando uma redução de apenas 0,03%, fechando a 131.140 pontos. Este comportamento contrasta com a forte desvalorização das principais bolsas de valores internacionais. Nos Estados Unidos, o índice Nasdaq sofreu uma queda de quase 6%, enquanto o S&P 500 registrou uma diminuição de 4,84%, e o Dow Jones também fechou no negativo, com uma queda de 3,48%. O dólar à vista teve uma queda de 1,18%, cotando-se a R$5,6290, o menor valor desde outubro. Além disso, a moeda americana desvalorizou em relação a outras moedas fortes e às de emergentes.
A disparidade nas reações entre os investidores locais e os internacionais pode ser atribuída a dois fatores principais. Os investidores brasileiros estão mais satisfeitos com a taxa de 10% das tarifas, que é inferior aos 20% que eram esperados. Em contrapartida, os investidores internacionais reagem negativamente à amplitude e à severidade das tarifas impostas a parceiros comerciais significativos dos Estados Unidos, além das incertezas sobre a metodologia utilizada para calcular os valores divulgados.
O sentimento geral entre os investidores é de que os Estados Unidos podem ser os mais prejudicados por essas tarifas, uma vez que o país depende de diversos produtos importados, desde itens básicos até componentes eletrônicos e automóveis. Embora o desempenho da bolsa brasileira tenha sido relativamente melhor, o setor de petróleo e gás enfrentou dificuldades. Nesta tarde, o preço do barril de Brent caiu 6%. A queda foi influenciada não só pelas tarifas dos EUA, mas também pela decisão inesperada da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep+) de aumentar a produção diária em mais de 400 mil barris, em um contexto em que a guerra comercial está comprometendo a demanda pela commodity, resultando na maior redução de preços em três anos.
De forma geral, os anúncios feitos no Dia da Libertação foram avaliados como muito piores do que o esperado. De acordo com análises do JP Morgan, esses anúncios colocam a economia americana em uma situação de vulnerabilidade, “perigosamente próxima de entrar em recessão”. Em um relatório dirigido aos clientes, o economista-chefe para os Estados Unidos, Michael Feroli, menciona que a postura agressiva do presidente pode levar o mercado a prever um desfecho diferente do que estava anteriormente estimado. O banco calcula que a inflação ao consumidor (PCE) poderá alcançar 4%, o que está bem acima da meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve.