O Tribunal Constitucional da Coreia do Sul tomou a decisão de destituir o presidente Yoon Suk Yeol, mantendo a moção de impeachment aprovada pelo parlamento devido à imposição de uma Lei Marcial no ano passado, um ato que provocou a pior crise política no país em várias décadas. A decisão formaliza a saída de Yoon da presidência, após o impeachment aprovado em dezembro, o que trouxe alívio a muitos legisladores que temiam uma possível nova tentativa de Yoon de impor a Lei Marcial, caso fosse reintegrado. Além disso, em janeiro, Yoon foi preso sob acusações relacionadas a uma insurreição e foi liberado em março, quando um tribunal decretou a nulidade do mandado de prisão, mas as acusações permanecem.
O colegiado de juízes do tribunal se manifestou de forma unânime a favor da manutenção do impeachment. Essa decisão gerou reações de alívio e celebração entre os opositores de Yoon, enquanto provocou protestos entre seus apoiadores. O tema tem gerado divisões profundas na sociedade sul-coreana, resultando em grandes manifestações a favor e contra a destituição do presidente. Em resposta a essa tensão, a segurança na capital foi reforçada, com a polícia instalando barreiras e postos de controle, além de um aviso sobre possíveis atos de violência.
Esse desfecho representa uma reviravolta significativa para Yoon, que antes de sua ascensão à política era um promotor conhecido, tendo desempenhado um papel crucial no impeachment e na prisão de uma ex-presidente anos atrás. Agora, enfrenta a mesma situação, marcando uma trajetória inesperada em sua carreira política.
Diante do atual cenário político, a Coreia do Sul se encontra sem um presidente estável, representando um desafio em meio à complexidade das relações internacionais e tensões globais, especialmente no contexto da política externa dos EUA. Em virtude das normas legais sul-coreanas, uma nova eleição presidencial deve ocorrer dentro de 60 dias após a destituição de Yoon, e um potencial candidato é Lee Jae-myung, líder da oposição e ex-poder legislativo que já disputou a presidência em 2022.
Além disso, Yoon enfrenta outros processos judiciais, sendo que a acusação de insurreição é uma das poucas que não são cobertas pela imunidade presidencial. Essa acusação, que está sujeita a penas severas, como prisão perpétua ou até pena de morte, destaca a gravidade da situação legal em que se encontra o ex-presidente.
As alegações contra Yoon incluem a imposição da Lei Marcial, durante a qual teria enviado tropas ao parlamento, com testemunhos apontando ordens para “capturar” legisladores. O ex-presidente sustenta que agiu em resposta a um impasse político e a ameaças de grupos considerados antiestatais, relacionados à Coreia do Norte. Ele defendeu que seu decreto foi um aviso temporário e teria respeito pela vontade legislativa, caso fosse decidido o contrário.
A Lei Marcial, que durou apenas seis horas, foi revogada por Yoon quando os legisladores conseguiram entrar no parlamento e votaram em uníssono para bloquear essa imposição, gerando quatro meses de instabilidade política, culminando com votos de impeachment contra o primeiro-ministro e o presidente interino.
A trajetória política de Yoon reflete uma queda acentuada de um ex-promotor que havia sido reconhecido por sua relevantes ações contra a antiga presidência de Park Geun-hye, que foi afastada e condenada por corrupção. Yoon se torna o segundo presidente da história sul-coreana a ser destituído pelo Tribunal Constitucional, estabelecendo um novo recorde de menor duração no cargo.
Os eventos recentes marcam um revés significativo para Yoon, que foi visto anteriormente como um aliado importante pelos Estados Unidos. Durante uma visita a Washington, ele foi homenageado e chegou a cantar em um jantar de Estado, um gesto que buscava fortalecer as relações com os EUA, mas que teve interpretações variadas entre seus críticos. Em seu retorno ao país, enfrentou uma oposição que dominou as eleições de meio de mandato, utilizando o parlamento para promover a destituição de membros do governo e obstruir a legislação, um impasse que foi utilizado por Yoon como justificativa para sua polêmica decisão.