5 abril 2025
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Klarna nos EUA: O Impacto Direto do Aumento de Tarifas de Trump

Em março deste ano, a fintech sueca Klarna havia anunciado planos para realizar sua oferta pública inicial (IPO) em Nova York, com uma avaliação projetada de US$ 15 bilhões. No entanto, esse panorama foi alterado devido às incertezas econômicas geradas pelas tarifas internacionais impostas pelo governo dos Estados Unidos sob a administração do ex-presidente Donald Trump.

Embora a Klarna tenha protocolado seu pedido de IPO na Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos no mês anterior, a empresa não havia estabelecido uma data específica para a abertura de capital, mas já estava se preparando para um roadshow destinado a investidores. A Klarna é reconhecida por seu serviço de “compre agora, pague depois”, uma forma de crédito adaptada ao ambiente digital, e tinha como objetivo arrecadar, pelo menos, US$ 1 bilhão com sua listagem.

A movimentação da Klarna era vista como um indicativo de recuperação do setor de tecnologia, que tem enfrentado uma diminuição nos investimentos nos últimos anos. Desde 2021, os aportes financeiros têm caído, influenciados pelo aumento das taxas de juros nos Estados Unidos. Nesse contexto, a fintech sueca simbolizava o que ficou conhecido como “inverno das startups”. Considerada a empresa privada mais valiosa da Europa em 2021, com uma avaliação de US$ 46 bilhões, a Klarna viu seu valor despencar para US$ 6,7 bilhões no ano seguinte, representando uma redução de 85,4%.

Gradualmente, a Klarna começou a recuperar parte de seu valor, embora ainda não tenha voltado aos patamares anteriores, que eram considerados exagerados devido à abundância de liquidez no mercado. Recentemente, a fintech apresentou resultados satisfatórios, registrando um lucro líquido de US$ 21 milhões em 2024, superando as perdas de US$ 244 milhões em 2023.

Os principais acionistas da Klarna incluem Sequoia Capital, o family office Heartland e Victor Jacobson, um dos cofundadores da startup. De acordo com dados obtidos no registro do IPO, ao final de 2024, a empresa contava com 93 milhões de clientes ativos e operava em 26 países.

A decisão da Klarna de pausar seu IPO representa mais um revés para a retomada das ofertas públicas de ações no setor tecnológico nos Estados Unidos. A Coreweave, fornecedora de acesso a data centers e chips de alto desempenho para aplicações de inteligência artificial, também decepcionou investidores recentemente.

No final de março, a Coreweave realizou seu IPO na Nasdaq, mas teve sua precificação abaixo da faixa esperada, arrecadando consideravelmente menos do que o planejado. A expectativa inicial era levantar entre US$ 2,3 bilhões e US$ 2,7 bilhões, mas a empresa conseguiu apenas US$ 1,5 bilhão. Desde a abertura de capital, suas ações acumularam uma alta de mais de 14%, embora tenham registrado uma queda de mais de 15% em 4 de abril, refletindo a volatilidade do mercado devido às tarifas impostas por Trump e a reação imediata da China.

Além da Klarna, a plataforma StubHub também adiou seus planos de IPO nos Estados Unidos. A startup havia considerado iniciar o processo de abertura de capital no ano anterior, com uma avaliação de US$ 16,5 bilhões, mas decidiu adiar seus planos devido à falta de listagens públicas de empresas em situações similares, conforme apontado por uma grande publicação de mídia.

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