O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfatizou a importância do multilateralismo e criticou as práticas de protecionismo econômico durante um discurso em Tóquio, Japão, no Fórum Empresarial Brasil – Japão. Embora não tenha feito referências diretas ao presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, suas declarações ascenderam a um debate sobre a relevância do reconhecimento da instabilidade climática e a adesão a protocolos ambientais, como o de Kyoto.
Lula manifestou preocupações sobre a “negação política” de algumas nações que ignoram questões climáticas, apontando que essa postura não beneficiará a humanidade. Ele argumentou que a ascensão de líderes de extrema-direita que rejeitam avanços científicos, como vacinas e discussões sobre mudanças climáticas, representa uma ameaça à democracia global.
Além de abordar a crise climática, o presidente também defendeu a continuidade do livre comércio entre as nações. Lula expressou que é fundamental evitar a volta de práticas protecionistas, afirmando que o foco deve ser um comércio que promova a democracia, o crescimento econômico e a distribuição da riqueza.
Reforçando sua mensagem, o presidente destacou a significância do multilateralismo nas relações internacionais, especialmente nas áreas econômica, tecnológica e cultural. Esse posicionamento, abordado em um evento internacional e ao lado do primeiro-ministro japonês, Shigeru Ishiba, ganhou relevância em um contexto em que as políticas norte-americanas têm tendido para o protecionismo.
No início de seu discurso, Lula convidou o Japão a intensificar seus investimentos no Brasil, descrevendo o país sul-americano como um “porto seguro” para investidores. Ele comparou a potencial relação entre os dois países em 2025 com a histórica interação de 1908, enfatizando a necessidade de aumentar os investimentos japoneses.
O presidente anunciou que 10 acordos de cooperação serão assinados entre Brasil e Japão, além de 80 convênios envolvendo empresas, bancos e universidades. Lula também trouxe à tona a preocupação com o declínio do comércio bilateral, que caiu de 17 bilhões de dólares em 2011 para 11 bilhões em 2024. Para ele, uma aliança econômica entre o Japão e o Mercosul representaria um avanço, mostrando que a integração é mais vantajosa do que o protecionismo.
Outro ponto relevante mencionado foi a COP30, que ocorrerá em Belém, no Pará. Lula expressou sua expectativa pela presença do premiê japonês e classificou a conferência como a “mais importante de todas”, destinada a discutir seriamente o controle do aquecimento global. Nesse contexto, ele criticou nações que estão se afastando dos debates estabelecidos pelo Acordo de Paris, fazendo alusão ao abandono do tratado por parte dos Estados Unidos logo nos primeiros dias do governo Trump.