O presidente Luiz Inácio Lula da Silva propôs que os 33 países da Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos (Celac) se unam em apoio a uma mulher como candidata única ao cargo de secretária-geral da Organização das Nações Unidas (ONU). Essa proposta será debatida na próxima Cúpula da Celac, programada para ocorrer em Tegucigalpa, Honduras. Apesar de ainda não haver uma candidata escolhida, nomes como o da ex-presidente do Chile, Michelle Bachelet, e da primeira-ministra de Barbados, Mia Mottley, estão sendo considerados. O governo brasileiro argumenta que este é um momento propício para que uma representante da América Latina ocupe essa posição, seguindo um rodízio informal entre as regiões.
Na ocasião, a embaixadora Gisela Padovan, secretária de América Latina e Caribe do Itamaraty, enfatizou a necessidade de trabalhar por uma candidatura única, que aumente as chances de uma mulher assumir a secretaria-geral, uma vez que, historicamente, todos os secretários-gerais da ONU foram homens. Ela mencionou a existência de excelentes candidatas na região, além de Bachelet e Mottley, e destacou o interesse do Brasil em indicar uma mulher para o cargo, embora o processo ainda esteja em uma fase inicial.
Durante a cúpula, pretende-se aprovar uma declaração especial em apoio à candidatura conjunta de uma mulher para a Secretaria-Geral da ONU, além de outra declaração enfocando questões relacionadas a mulheres e segurança. Em um discurso na Assembleia Geral do ano anterior, Lula havia criticado a ausência de mulheres em posições de liderança na ONU e em outras organizações. Em todos os seus 75 anos de existência, a ONU teve apenas homens ocupando o cargo de secretário-geral.
A proposta, no entanto, pode enfrentar resistência, especialmente de governos conservadores na região, como o do presidente da Argentina, que demonstraram visões divergentes sobre a ênfase em questões de gênero em declarações conjuntas em cúpulas recentes. O Itamaraty alerta que negociações podem ser necessárias para modificar o texto proposto, visando garantir pelo menos um apoio coletivo a uma candidatura unificada, que pode ser de um homem, desde que não exclua a possibilidade de ser uma mulher.
O presidente brasileiro chegará a Tegucigalpa no dia 8 e participará de um coquetel para líderes antes de discursar na plenária da cúpula no dia seguinte. Além de Lula, outros líderes da esquerda na América Latina estão confirmados no evento, incluindo presidentes da Colômbia, Uruguai, Bolívia, Cuba e Guatemala. A Colômbia assumirá a presidência temporária da Celac em 2025.
Durante a cúpula, discussões sobre segurança alimentar e nutricional, mudança climática, e gestão de desastres naturais estarão na pauta. Além disso, um comunicado final abordará temas de imigração, deportações e defesa do livre-comércio e do multilateralismo. Apesar de a legislação de tarifas promovida pela administração anterior dos EUA não ser o foco central, é esperado que seja mencionada nas falas dos líderes, sendo que o impacto das políticas pode variar bastante entre os países membros.
Por fim, a Cúpula antecede uma reunião ministerial programada em Pequim com os chanceleres da Celac e o presidente da China, Xi Jinping. O evento, que celebra uma década de relações entre China e Celac, foi inicialmente agendado para o dia 13 de maio, mas poderá ser reprogramado devido a conflitos de agenda entre os representantes dos países participantes. A intensificação da cooperação em áreas de interesse mútuo entre as nações latino-americanas e caribenhas permanece como um dos principais objetivos. Uma nova reunião de líderes entre a Celac e a União Europeia será realizada na Colômbia em dezembro.