5 abril 2025
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Mercados em Queda: Nasdaq e S&P 500 Reagem ao Anúncio da China

Em meio ao agravamento da guerra comercial global, as bolsas de valores internacionais enfrentaram perdas significativas nesta sexta-feira, 4 de outubro. Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street encerraram o dia em queda. O índice Nasdaq caiu 5,82%, enquanto o S&P 500 teve uma queda de 5,97%. O rendimento dos títulos de 10 anos do Tesouro americano foi de 3,9943%, em comparação com 4,055% registrado na quinta-feira, 3 de outubro. As bolsas na Europa e na Ásia também apresentaram declínios acentuados.

O índice Ibovespa também sofreu, encerrando uma sequência de três semanas de mínimas. Inicialmente, o índice foi menos impactado pelo anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e fechou a quinta-feira com estabilidade, enquanto o dólar e os rendimentos dos títulos do Tesouro caíram, o que beneficiou as ações sensíveis a juros. O desempenho da sexta-feira foi amplamente influenciado pelo anúncio de tarifas retaliatórias da China sobre produtos norte-americanos, intensificando os temores de uma desaceleração significativa na economia global.

Ao final do pregão, o Ibovespa registrou uma queda de 2,96%, fechando a 127.256 pontos, após marcar uma mínima de 126.465,55 pontos, o menor nível desde 14 de março. Durante o dia, o índice alcançou um máximo de 131.139,05 pontos. Este foi o maior declínio percentual em um único dia desde 18 de dezembro do ano anterior, quando o índice caiu 3,15%. Com isso, a semana se encerra com uma desvalorização acumulada de 3,25%. O dólar, por sua vez, teve um aumento de 1,31% ao longo do período, embora ainda acumule uma queda anual de 5,52%. No fechamento da sessão, a moeda foi cotada a R$ 5,8382, após recuar 3,72%. O forte declínio no preço do petróleo também contribuiu para a valorização do dólar em relação ao real, visto que o Brasil é um importante exportador dessa commodity, e o barril de Brent caiu mais de 6%.

Após ser uma das economias mais afetadas pelas tarifas recíprocas dos Estados Unidos, a China anunciou medidas de retaliação, incluindo a imposição de uma taxa adicional de 34% sobre produtos americanos. Além disso, o país implementou controles sobre a exportação de algumas terras raras, essenciais para a indústria de tecnologia, e apresentou uma queixa à Organização Mundial do Comércio (OMC). Essas ações escalam a guerra comercial iniciada pelo presidente Trump, sendo que economistas alertam que tais medidas estão impactando negativamente a atividade econômica global. Jerome Powell, presidente do Federal Reserve, declarou que as novas tarifas de Trump superaram as expectativas e que as consequências econômicas podem incluir inflação elevada e crescimento mais lento.

A equipe de pesquisa macroeconômica de uma instituição financeira brasileira analisou que esta foi uma semana marcante para o comércio internacional, gerando uma alta incerteza nos mercados. Em um relatório aos clientes, os economistas afirmaram ser fundamental observar as respostas de retaliação das principais economias, uma vez que isso pode aumentar os riscos de uma desaceleração sincronizada entre nações. Economistas do banco JPMorgan estimaram que as tarifas americanas elevam os riscos de recessão nos Estados Unidos e no mundo para 60%, um aumento em relação ao percentual de 40% estimado um mês antes. O Goldman Sachs e a S&P Global também elevaram suas previsões de probabilidade de recessão no país.

No mercado de ações, a VALE ON caiu 3,99%, afetada pelas preocupações sobre a economia global, em um dia em que os mercados financeiros chineses estavam fechados. No setor de mineração e siderurgia, a CSN ON teve queda de 6,58%, a USIMINAS ON caiu 7,12%, e a GERDAU PN recuou 4,84%. O Citi anunciou uma nova recomendação neutra para a Usiminas. Na Petrobras, as ações PN fecharam em queda de 4,03%, refletindo a forte queda do petróleo no exterior, onde o barril de Brent despencou 6,5%, cotado a US$ 65,58. No setor de petróleo e gás, a BRAVA ON despencou 12,92%, a PRIO ON caiu 7,96%, e a PETRORECONCAVO ON perdeu 8,6%.

No setor bancário, o ITAÚ UNIBANCO PN cedeu 2,6%, enquanto a aversão ao risco impactou as ações de bancos em geral. O BRADESCO PN teve queda de 1,1%, o BANCO DO BRASIL ON perdeu 1,86% e o SANTANDER BRASIL UNIT recuou 3,31%. Entre os destaques positivos, o CARREFOUR BRASIL ON teve uma alta de 10,77%, após a proposta do controlador, o grupo francês Carrefour, para adquirir todas as ações em circulação da subsidiária brasileira, aumentando a oferta em dinheiro de R$ 7,70 para R$ 8,50 por ação. Por outro lado, a VAMOS ON caiu 9,92%, após um relatório do JPMorgan, que reiterou a recomendação overweight, mas cortou o preço-alvo de R$ 10 para R$ 8,50, citando desafios com aumento nos custos de depreciação e queda nas margens de lucro.

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