4 abril 2025
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Não se Trata Apenas de Economia: O Poder da Geopolítica em Jogo

Após a implementação de tarifas elevadas pelos Estados Unidos, países de todos os continentes buscam mitigar os impactos dessa decisão, que reflete mais preocupações geopolíticas do que uma agenda econômica. O termo “Dia da Libertação”, sugerido por Donald Trump, é criticado por economistas renomados, que o consideram um erro significativo.

O novo mandato de Trump tem sido marcado por instabilidades globais. Durante a campanha de 2024, ele fez diversas promessas, muitas das quais estão sendo cumpridas ainda no primeiro semestre de seu governo. No contexto militar, a paz no Oriente Médio se desfez, e a situação na Europa Oriental permanece sem resolução. No entanto, soluções econômicas podem gerar impactos mais imediatos na opinião pública, tanto interna quanto externa. A política de tarifas excessivas, a busca por uma balança comercial favorável e o adotamento de medidas protecionistas se assemelham às práticas mercantilistas do século XVIII, contradizendo os ideais de liberalismo promovidos por economistas americanos ao longo dos últimos 200 anos.

Economistas de prestígio consideram que o “Dia da Libertação” é um grande equívoco. A publicação “The Economist” descreveu o dia seguinte à implementação das tarifas como um “dia de ruína”, afirmando que o presidente cometeu um dos erros econômicos mais sérios da era moderna. As bolsas de valores em todo o mundo reagiram de forma negativa, registrando quedas significativas, incluindo uma perda de mais de 5% na NASDAQ. A Apple, a maior empresa do mundo, viu suas ações despencarem em 9%, resultando em uma perda estimada de mais de 250 bilhões de dólares. Analistas observam que, devido à interdependência das cadeias de produção globalizadas, consumidores americanos devem enfrentar um aumento nos preços de produtos e serviços em breve.

As reações ao tarifaço variaram conforme a orientação ideológica. Líderes próximos dos republicanos enfatizam a importância de negociações bilaterais e a possibilidade de concessões em acordos futuros, optando por uma abordagem cautelosa. Por outro lado, algumas lideranças mais progressistas defendem a necessidade de reciprocidade e consideram a hipótese de buscar auxílio em instituições internacionais como a Organização Mundial do Comércio. O impacto de mudanças dessa magnitude é frequentemente doloroso, mas tendências observadas indicam que as intenções de Washington podem ser diferentes das aparentes.

Embora o antiliberalismo seja evidente, Trump está ciente de que sua posição como a maior economia do mundo, que abriga 8 das 10 maiores empresas globais, pode transformar rapidamente as relações internacionais. O objetivo declarado do presidente é reindustrializar os Estados Unidos, trazendo de volta empresas e fábricas que, nas últimas três décadas, se deslocaram principalmente para a Ásia. Essa estratégia, segundo Trump, não só garantiria milhares de empregos e estabilidade econômica, mas também fortaleceria a segurança nacional. A lógica por trás dessa abordagem é que a classe média urbana e industrial americana tem sido a mais afetada pela globalização.

Contudo, especialistas reconhecem que a reindustrialização é um processo complexo e demorado, que provavelmente trará consequências econômicas negativas no curto prazo, como inflação elevada e aumento do custo de vida. A decisão radical de Trump levanta questionamentos sobre sua eficácia e justificação. A resposta a essa questão é não trivial e está mais relacionada à geopolítica do que à economia.

Historicamente, os Estados Unidos mantiveram uma posição econômica de destaque por cerca de 70 anos. Even dureante a Guerra Fria, sua hegemonia econômica nunca esteve ameaçada desde 1945. Entretanto, o cenário atual é diferente, com a China emergindo como uma potência econômica crescente, expandindo seus mercados e competindo em setores estratégicos, como veículos elétricos e tecnologia de smartphones.

A estratégia de Trump para preservar a supremacia americana não parece visar o aumento direto das riquezas dos cidadãos, mas sim a contenção do crescimento econômico da China. As tarifas elevadas sobre produtos chineses poderiam reduzir o acesso da economia chinesa ao mercado consumidor americano, desacelerando seu crescimento e impactando suas grandes empresas. A expectativa é que esse esforço consiga retardar a inevitável superação econômica da China.

A questão que permanece é se, diante dessas adversidades provocadas por Trump, a China reagirá com ressentimento ou aproveitará a situação como uma oportunidade para fortalecer seus próprios mercados e acordos. Enquanto isso, os preparativos são feitos tanto na América do Norte quanto na Ásia, marcando o início de um novo desafio econômico, e agora a expectativa se volta para a resposta de Xi Jinping.

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