28 fevereiro 2025
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Premiê do Reino Unido Busca Fortalecer Laços com os EUA

Keir Starmer esteve em Washington, D.C., para encontrar-se com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No entanto, o novo modelo de política externa apresentado por Trump desafia a manutenção de antigas alianças entre os países.

Em um discurso realizado em 1946, o ex-primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, descreveu a relação entre o Reino Unido e os Estados Unidos como “Relação Especial”. Este termo simboliza a forte parceria militar, diplomática, cultural e histórica que une as duas nações há quase dois séculos, especialmente após o final da Segunda Guerra Mundial. Churchill desempenhou um papel vital ao convencer o presidente Franklin D. Roosevelt a oferecer apoio militar aos aliados na Europa em momentos críticos. Atualmente, essa dinâmica mudou, com um presidente republicano na Casa Branca e um primeiro-ministro trabalhista em Downing Street. Apesar de inversões políticas já terem ocorrido no passado, a relação cuidadosamente cultivada entre os países atravessa tempos de incerteza.

A administração Trump tornou evidente que a Europa não ocupa mais o mesmo lugar de destaque que teve nas últimas oito décadas. A visita de Starmer acontece em um contexto delicado, uma vez que os Estados Unidos demonstraram apoio à Rússia no atual conflito no Leste Europeu, em um dos maiores reviravoltas geopolíticas em meio século. A postura de Trump, que exibe consideração por Vladimir Putin enquanto desmerece publicamente Volodymyr Zelensky, também indiretamente rebaixa os aliados europeus, incluindo o premier britânico. Questões de segurança regional foram tópicos centrais nas conversas, especialmente após o anúncio do governo britânico de aumentar seus gastos com defesa para 2,5% do PIB.

Apesar de se preparar adequadamente para a visita e apresentar propostas positivas, a resistência do presidente Trump deixa claro que Starmer e outros líderes europeus terão dificuldades em persuadir os Estados Unidos a retornar à sua posição histórica de defesa de valores comuns. O primeiro-ministro britânico também trouxe uma carta do rei Charles III, convidando Trump para uma recepção oficial em Londres. Contudo, mesmo com esse gesto, é pouco provável que tais ações gerem efeitos práticos que melhorem as relações transatlânticas.

Os britânicos poderão usar sua independência econômica, conquistada com a saída da União Europeia, para buscar um acordo bilateral mais vantajoso com os Estados Unidos, especialmente agora que as tarifas para países europeus foram confirmadas pela Casa Branca. As razões por trás das recentes mudanças na política de Washington permanecem obscuras. Essa quebra abrupta de protocolos e tradições ainda gera incertezas no continente europeu. Os próximos dias serão fundamentais para esclarecer o novo plano geopolítico de Trump, com reuniões concretas sobre o futuro da Ucrânia se aproximando. Independentemente do resultado, observa-se que a “Relação Especial”, anteriormente considerada robusta, agora pode se reduzir a uma relação comum entre os Estados Unidos e outras nações ao redor do mundo.

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