É comum que um confronto entre Brasil e Argentina gere, tanto antes quanto após a partida, uma ansiedade vinculada ao receio do resultado. Este clássico, que frequentemente provoca grandes repercussões, afeta tanto a situação atual quanto as perspectivas futuras. O contexto ficou ainda mais intenso após a derrota de 4 a 1, ocorrida no dia 25 de outubro, no Estádio Monumental de Núñez, em Buenos Aires, pelas eliminatórias da Copa do Mundo de 2026. O então treinador da seleção, Dorival Jr., reconheceu a gravidade da derrota, que foi amplamente comentada pela mídia argentina, sendo chamada de “baile histórico” por um dos principais jornais do país. Ele afirmou: “É uma derrota marcante, tenho que reconhecer isso. Sei o tamanho, acredito muito no meu trabalho, no desenvolvimento de tudo isso. É um processo complicado, difícil. Mas não tenho dúvidas de afirmar que encontraremos o caminho.”
A derrota em Buenos Aires foi um catalisador para a demissão de Dorival Jr., que ocorreu na sexta-feira, 28 de outubro. Contudo, a permanência ou saída do técnico não alterava significativamente a situação, visto que os problemas na Confederação Brasileira de Futebol (CBF) vão além do desempenho de um único treinador. Ex-jogadores e comentaristas já expressaram a necessidade de mudanças, apontando que o tempo de Dorival à frente da seleção havia chegado ao fim. Além disso, a mediocridade dos resultados e o pouco progresso no desenvolvimento da equipe foram motivos de preocupação.
Nos 16 jogos que Dorival dirigiu a seleção, contabilizou 7 vitórias, 7 empates e 2 derrotas, um desempenho considerado mediano. As partidas, mesmo quando vencidas, apresentaram uma qualidade de jogo questionável, com exceção de um ótimo desempenho contra a Inglaterra em Wembley. O foco deve recair sobre a CBF e sua gestão, sob a presidência de Ednaldo Rodrigues desde 2021, que tem sido marcada por fracassos consecutivos, incluindo eliminações em Copas América e a saída nos quartas de final da Copa do Mundo de 2022.
Ednaldo foi reeleito e permanecerá na presidência da CBF até 2030, evidenciando que não há motivos para celebração, principalmente considerando os resultados em campo e a falta de diversidade na gestão. O lema da chapa vencedora, que pregava um futebol inclusivo, contrasta com sua composição exclusivamente masculina, gerando desafios em relação às perspectivas reais de evolução na administração do futebol brasileiro.
Com a Copa de 2026 se aproximando, há uma crescente urgência por mudanças na equipe que participará do torneio. O Brasil já enfrentou vexames históricos, e a gestão de Ednaldo foi marcada por erros significativos, respaldados por clubes e federações que apoiaram sua reeleição. A escolha de um novo treinador, após a saída de Dorival, se torna uma questão central, com nomes como Filipe Luís, Renato Gaúcho e Rogério Ceni sendo especulados.
Os próximos meses prometem ser desafiadores para a seleção brasileira, que se encontra em uma fase crítica, mesmo contando com jogadores de destaque como Vinicius Jr. Para que a equipe volte a apresentar um desempenho satisfatório, é necessário que haja uma reforma abrangente na estrutura da CBF. A demissão de Dorival, portanto, pode representar apenas a queda de um bode expiatório, sendo essencial que não se esqueçam os episódios de vergonha associados à seleção.