Atualmente em cartaz no Sesc Copacabana, a peça “Nosso Irmão” aborda o reencontro de três irmãos após a morte da mãe, envolvendo questões de interesses em torno dos bens da família e da guarda do irmão mais novo, que apresenta deficiência intelectual. A atriz Regiane Alves, de 46 anos, desempenha um dos papéis principais nesta narrativa. Mãe de dois filhos, João Gabriel, de 10 anos, e Antônio, de 8 anos, ela conversou por telefone sobre o espetáculo, a maternidade e temas relacionados ao mundo das novelas.
A peça “Nosso Irmão” também promove discussões sobre o espectro autista. O aprofundamento nesse tema se deu devido a uma reflexão sobre a finitude da vida. A perda de um ente querido, especialmente em uma situação onde a mãe, que cuidava do filho autista, falece, é um assunto difícil, mas necessário. Regiane menciona seu interesse por obras de Ana Cláudia Quintana Arantes, médica de cuidados paliativos, que discute sobre a importância de proporcionar conforto na vida e até na morte. Essa perspectiva a impactou, levando-a a considerar a preparação para o futuro em relação à sua própria família.
A relação dos filhos de Regiane, João e Antônio, se caracteriza por uma forte parceria. Crescendo em um ambiente de pais separados, eles costumam passar tempo juntos, desenvolvendo uma conexão especial. No entanto, com a adolescência se aproximando, a dinâmica familiar pode apresentar novos desafios.
Regiane também aborda a maternidade em seu podcast, “Pod Isso Mãe”, onde discute a educação socioemocional positiva. Ela reforça a importância de ouvir as crianças e estar atenta ao que elas têm a dizer, especialmente em meio à rotina agitada dos adultos. Um exemplo recente que trouxe essa questão à tona foi quando seu filho se machucou, e Regiane percebeu que não estava prestando a atenção necessária.
A rotina de uma mãe em meio a ensaios teatrais é desafiadora, mas Regiane conta com uma rede de apoio significativa. Há 15 anos, uma funcionária a auxilia, e amigos próximos também contribuem para a logística familiar. Embora seus pais não residam na mesma cidade, ela é grata pelo suporte que possui.
A relação das crianças com a avó, Regina Duarte, é marcada pelo carinho e admiração. Elas se divertem ao assistir às novelas que ela protagonizou, cultivando uma ligação afetiva, além de reconhecer seu valor como artista.
Regiane expressa saudade de atuar em novelas, destacando que sempre está envolvida em diferentes projetos, desde peças até filmes. Para ela, as novelas fazem parte de sua formação e carreira, e a conexão com o público é significativa.
Sobre a relevância de produções da Globo, Regiane acredita que algumas obras capturaram a essência de épocas passadas, mas ainda são pertinentes. Apesar do tempo, temas abordados, como o tratamento dos mais velhos, permanecem atuais. A contextualização em novas produções é importante, como demonstrou seu papel em “Vai na Fé”, que explora temáticas contemporâneas.
Quanto à ascensão das novelas em plataformas de streaming, Regiane vê isso de forma positiva. Boas histórias e atuações de qualidade têm espaço ao lado de influenciadores, trazendo uma nova abordagem para o público brasileiro que aprecia novelas. O retorno a narrativas de gerações anteriores é uma demanda sentida nas ruas.
Para quem deseja assistir à peça “Nosso Irmão”, as apresentações ocorrem no Sesc Copacabana, de quinta a sábado às 20h e aos domingos às 18h, com ingressos disponíveis na bilheteira, custando entre 10 e 30 reais, até 13 de abril.