Neste ano, o Brasil está enfrentando dois surtos do fungo resistente denominado Candida auris, conhecido como “superfungo”. Os casos estão concentrados principalmente nos estados de São Paulo e Pernambuco, o que levanta preocupações sobre a possibilidade de disseminação desse micro-organismo em instituições de saúde, conforme informações da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A Anvisa classifica o fungo como uma “grave ameaça” à saúde global, uma vez que pode provocar infecções invasivas associadas a taxas elevadas de mortalidade e aumento dos custos hospitalares.
Conforme o alerta da Anvisa, os surtos de “superfungo” dentro de serviços de saúde são complicados de conter, devido à dificuldade de eliminar a presença do fungo no ambiente. Além disso, a identificação do micro-organismo exige métodos especializados que muitos laboratórios brasileiros não possuem.
No estado de Pernambuco, o Hospital Otávio de Freitas registrou quatro pacientes infectados com Candida auris neste ano, sendo dois do sexo feminino e dois do sexo masculino, todos provenientes da Unidade de Terapia Intensiva Clínica (UTI). A unidade continua com um surto ativo e está monitorando os casos. O primeiro caso de Candida auris em Pernambuco foi diagnosticado no final de 2021, e desde então, o estado já contabiliza dez surtos, totalizando 76 casos confirmados.
Em São Paulo, o Hospital do Servidor Público Estadual (HSPE), na capital, identificou pelo menos 15 pessoas que tiveram contato com Candida auris, após um caso de infecção registrado em 2 de janeiro deste ano. O paciente afetado, um homem de 73 anos, faleceu devido a complicações cirúrgicas, e não em decorrência da infecção pelo fungo. Durante as coletas diárias notificadas às autoridades sanitárias, o hospital encontrou o micro-organismo em outros 14 pacientes, porém, nenhum deles desenvolveu a infecção durante a internação e o tratamento.
Até o presente momento, surtos de Candida auris foram registrados em serviços de saúde na Bahia, Pernambuco, Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Desde 2020, quando ocorreu o primeiro surto, foram identificados um total de 114 casos, de acordo com a Anvisa.
Candida auris é um fungo que representa uma séria ameaça à saúde pública devido à sua resistência aos principais medicamentos antifúngicos. Estudos indicam que até 90% das amostras de C. auris analisadas demonstram resistência ao fluconazol, anfotericina B ou equinocandinas. Este fungo é um agente causador de infecções oportunistas, tendo sido identificado pela primeira vez no Japão em 2009, em um caso de otomicose. Desde então, sua presença foi relatada em todos os continentes, exceto na Antártica. O primeiro caso de C. auris no Brasil foi detectado em novembro de 2020, em um paciente de 59 anos internado em uma UTI em Salvador, na Bahia, sendo confirmado por análises técnicas do Laboratório Central de Saúde Pública Prof. Gonçalo Moniz (Lacen/BA) e do Laboratório do Hospital das Clínicas de São Paulo.