4 abril 2025
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Tarifa Alta de Trump ameaça levar a economia global à recessão

A reação negativa dos mercados e de diversas nações em 3 de abril, em resposta ao pacote de tarifas anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, gerou preocupações significativas tanto internamente quanto em nível global. As medidas apresentadas revelaram-se mais prejudiciais ao comércio internacional do que muitos especialistas previam, levantando alarmes entre economistas que agora antecipam que a nova política comercial dos EUA pode provocar um efeito contrário ao pretendido.

Atualmente, há um risco crescente de que a economia dos EUA e a inflação global possam enfrentar um impacto negativo antes mesmo do início de uma guerra comercial global, um resultado muitas vezes associado a ações de retaliação por parte dos países afetados. Essa preocupação intensificou-se após a queda dos mercados financeiros, que não poupou ativos, nações ou corporações, contrastando com o otimismo previamente expresso pelo presidente.

No cenário asiático, o índice Nikkei do Japão reportou uma perda de quase 3%, enquanto na Europa o índice Stoxx 600 caiu 1,5%. Nos EUA, os índices futuros do S&P 500 registraram uma queda superior a 3% logo no início do dia, com o índice industrial Dow Jones perdendo mais de 1.500 pontos e o Nasdaq e o S&P 500 diminuindo, respectivamente, 5% e 4%. O desempenho negativo nas ações de grandes empresas americanas, como Nike e General Motors, gerou receios de que as novas tarifas prejudicariam os lucros e aumentariam os preços, afetando a demanda.

Particularmente, as ações da Apple, que produz dispositivos na China e em outros países asiáticos, caíram 9% no início da sessão, enquanto as empresas de tecnologia Meta e Amazon experimentaram desvalorizações superiores a 7%. Os papéis da Nvidia, que depende da produção no México e de chips fabricados em Taiwan, tiveram uma queda acima de 5%. Ademais, a desvalorização de 2,1% do dólar em relação a outras moedas de parceiros comerciais indicou um aumento da aversão ao risco entre os investidores.

As preocupações com a política comercial dos EUA foram reforçadas por avaliações anteriores que indicavam a possibilidade de uma recessão global, com estimativas de 40% de risco apresentadas pelo J.P. Morgan em março. Essa previsão considerou uma abordagem comercial mais rigorosa, mas nada comparável à magnitude das tarifas intensificadas de Trump, que impôs sobretaxas acima de 10% sobre produtos de 60 países, incluindo grandes parceiros comerciais como União Europeia, China e Japão.

O pacote de tarifas, critério central da estratégia comercial do presidente, tem sido questionado por sua lógica, a qual muitos economistas consideram inconsistente com os objetivos de reduzir déficits comerciais bilaterais. Argumenta-se que as balanças comerciais dependem de vários fatores econômicos, incluindo impostos e regulamentações, não podendo ser reduzidas apenas através de tarifas.

Especialistas, como John Springford do Centre for European Reform, defendem que a abordagem proposta não vai eliminar os déficits comerciais dos EUA, mas sim impactar negativamente as nações com superávits, ao mesmo tempo em que afetará os consumidores americanos. O custo das tarifas excederá o que o governo calculou. Ele caracterizou a estratégia como “estúpida e destrutiva.”

Além disso, o conceito de “tarifa recíproca”, fundamental na política comercial de Trump, é contestado, já que países como Vietnã e Taiwan, que enfrentam altas taxas, não impõem tarifas de maneira recíproca às suas importações. Esse cenário é visto como uma penalização a nações que oferecem produtos a preços competitivos no mercado americano.

A interconexão da economia dos EUA com a global também levanta dúvidas sobre a eficácia do esforço de resgatar a indústria local por meio de sobretaxações. A participação dos EUA no PIB global permanece em torno de 25% e estima-se que 41% das receitas das empresas do S&P 500 vêm do exterior, o que indica que as tarifas poderão impactar os consumidores e o crescimento econômico de maneira significativa.

Por exemplo, a associação de vestuário e calçados estima que 97% dos produtos desse setor vendidos nos EUA são importados. A introdução de tarifas a países asiáticos, produtore de vestuário, tende a resultar em custos maiores para os consumidores americanos. A Exiger, uma empresa de análise de dados, calculou que as novas tarifas poderiam gerar US$ 600 bilhões anualmente, com a China respondendo por uma fração significativa desse montante.

Mesmo economias avançadas, como a União Europeia, devem sofrer os efeitos adversos das tarifas, com previsões de um custo de € 380 bilhões. A estratégia de trazer a manufatura de volta para os EUA é questionável, pois os custos de mão-de-obra são significativamente mais altos do que em outros países e a disponibilidade de trabalhadores dispostos a aceitar empregos de baixa remuneração é reduzida.

Ademais, se as tarifas fizerem com que os parceiros comerciais dos EUA enfrentem recessões, isso poderá prejudicar as exportações americanas, que totalizaram expressivos US$ 2,1 trilhões em bens e US$ 1,1 trilhão em serviços no ano anterior. Com as previsões de recessão global se intensificando, surgem expectativas de que o presidente americano possa eventualmente rever sua posição.

Por estas razões, analistas sugerem que é prudente aguardar antes de levar a sério as notícias relacionadas às políticas comerciais proclamadas, levando em conta a possível mudança de direção por parte da administração americana no futuro.

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